quinta-feira, 11 de agosto de 2016

CURSO DE AGROECOLOGIA E HORTAS AGROFLORESTAIS
- 27 e 28 de agosto -

O Coletivo Re-Ação e a ONG Mutirão Agroflorestal oferecem NOVO CURSO para agricultores urbanos!! 

objetivo do curso é introduzir os fundamentos da agroecologia a partir das demandas do movimento de agricultura urbana de Brasília e aprofundar sobre tecnologias sustentáveis de produção e manejo agrícola com foco em sistemas agroflorestais. O curso será dividido em partes teóricas e práticas, aproveitando os melhores horários do dia para colocarmos nossos conhecimentos em prática.


Nos envolveremos com o que há de melhor em termos de produção agrícola de alimentos, aprendendo a plantar, manejar e colher de forma orgânica e sustentável, além de promover a aproximação entre cidade e campo no âmbito do movimento agroecológico. Abordaremos ainda os seguintes temas: (1) agricultura em pequenos espaços: planejando e implementando sua horta urbana, (2) preparo do solo, adubação e manejo de agroecossistemas, (3) controle biológico (amigos naturais), (4) teoria da trofobiose (o problema do uso de agrotóxicos, fertilizantes químicos e transgênicos), (5) CSA - Comunidades que Sustentam a Agricultura, (6) alimentação saudável e plantas alimentícias não convencionais, (7) compostagem

Venha conosco, por uma revolução orgânica e gentil da comunidade com a cidade!

Facilitadores:

- Fabiana Peneireiro: Especialista em agroecologia e produção de alimentos orgânicos em sistemas agroflorestais, integrante da ONG Mutirão Agroflorestal.

- Igor AvelineAgroecólogo, agricultor urbano e idealizadores do Projeto Re-Ação, integrante da ONG Mutirão Agroflorestal.

 

Fabiana Peneireiro possui mais de 20 anos de experiência em agroecologia e sistemas agroflorestais, tem trabalhado por todo Brasil oferecendo palestras, cursos e consultorias e é produtora e promotora de Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA), uma nova forma de economia solidária que supera a lógica do preço na construção de relações baseadas no apreço.

MUTIRÃO AGROFLORESTAL é uma ONG que visa contribuir com a construção de sociedades sustentáveis por meio de uma rede de integração de pessoas em torno de aprendizagem, vivências, experimentação e estímulo à produção agroflorestal, bem como da construção de novas formas de relacionamento em que o Ser Humano atue nos processos naturais como parte integrante na geração de biodiversidade e abundância de vida. Tendo como princípios fundamentais o amor, a cooperação e a solidariedade. (Conheça mais sobre o Mutirão clicando aqui)
 

Data: 27 e 28 de agosto
Horário: 9h às 17h
Local: SQN 206 - salão de festas do bloco E (Asa Norte) 

Investimento: R$:180,00 (incluindo o curso, almoço + lanche nos dois dias e insumos para nossas atividades práticas de plantio). 
Serão disponibilizadas 25 vagas para o curso.
Seguindo nossos princípios, ofereceremos 5 bolsas de até 100%, preferencialmente para ativistas da agricultura urbana que declararem dificuldade em arcar com os custos do curso.

Sua inscrição será confirmada com o depósito e envio do comprovante para o email 
projetoreacao206norte@gmail.com


Para mais informações:
- Igor Aveline: 061-981200950
- Diego Paz: 061-982239555

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Projeto Re-ação - Agricultura urbana

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Coletivo Re-Ação - aniversário de 1 ano

Projeto Re-Ação tem como objetivo fortalecer o envolvimento comunitário e o empoderamento social a partir de práticas agroecológicas e construir de forma participativa espaços modelos de agricultura urbana, abertos e possíveis de replicação em outras localidades.

Para alcançar nossos sonhos com excelência, empreitamos um financiamento coletivo. Com a contribuição de 155 apoiadores conseguimos implementar um  jardim comunitário, uma central de compostagem,  uma horta, uma espiral de ervas e um grande sistema agroflorestal produtivo, na quadra 206 da Asa Norte, Brasília-DF. 





Desenvolvemos oficinas de educação biocêntrica com a especialista Renata Friaça, uma oficina de produção e uso de ervas medicinais com o técnico Baby do mandato Brasília Sustentável, um curso de hortas urbanas com o técnico da EMATER Rogério Vianna, uma visita ao Sítio Semente com visita técnida de Juã Pereira, aulas de Tai Chi Chuan com Marcio Barbato e um curso de agroecologia de 16 horas com Fabiana Peneireiro e Igor Aveline da ONG Mutirão Agroflorestal.




Jardim agroflorestal produtivo

 






Curso de produção e uso de ervas medicinais


Curso de hortas urbanas comunitárias



Troca de saberes entre nossos futuras grandes mestres


Reunião da Articulação de Grupos de Agricultura Urbana de Brasília



Horta das crianças


Educação Ambiental para as pequenas



Aula de Yoga





Como surgiu o projeto Re-Ação?
O Projeto Re-Ação surgiu do interesse comum de diversos moradores da quadra 206 e arredores da Asa Norte, Brasília, em transformar nossa comunidade a partir de práticas cotidianas mais sustentáveis. Começamos a nos reunir, trocar experiências e promover mutirões de plantios de hortas e pomares, como previsto para as superquadras no Relatório do Plano Piloto de Brasília de Lúcio Costa.

Contexto
A superquadra 206 Norte possui um histórico de iniciativas agroecológicas e seus moradores estão se organizando para engrandecer essas iniciativas. Com os moradores integrados, percebemos a importância de desenvolver a implementação de nossas ideias de uma forma eficiente para que nossos ideais se sustentassem no tempo.

O Projeto Re-Ação conseguiu um financiamento coletivo e está concluindo as atividades previstas de oficinas, cursos e capacitações (em breve nosso cronograma!) Tudo isso com o apoio de nossos grandes parceiros: EcoViveiro Pau-Brasília e Sítio Geranium.

Temos também o apoio técnico da Emater-DF e legal da Secretaria do Meio Ambiente, além do incentivo da Administração da Asa Norte e da Diretoria de Parques e Jardins da NovaCap.

Junto à Secretaria de Educação, estamos buscando uma concessão de uso de um campo de areia em uma área central da quadra 206 norte que esta a mais de 10 anos abandonada. Nosso propósito é revitalizar o espaço e concentrar nossas atividades de produção de hortaliças e ervas medicinais nesse campo de areia.

Uma revolução gentil e orgânica!
O projeto constitui parte inicial de uma grande transformação, de um novo olhar sobre a cidade, o campo e nossas práticas cotidianas. Com a implementação do projeto, faremos mutirões semanais de plantio, manejo e colheita envolvendo permanentemente a comunidade e tod@s os interessados em uma transição agroecológica. A oportunidade de nossas filhas e filhos crescerem em meio a iniciativas pró-ativas e sustentáveis não tem preço. Incentivamos o apreço à cooperação horizontal na construção de um novo mundo mais justo, superando opressões a partir da abundancia!

Contatos e links:
Email do coletivo - reacao206norte@googlegroups.com
Igor Aveline – 81200950 (igoraveline@gmail.com), Sabrina Cunha – 81080560 (csabrinacunha@gmail.com), Diego Paz - 82325593 (diego.d.morais@gmail.com), Fernanda Fagundes - 82149212

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Curso de Hortas Agroflorestais - Simbiose Agroflorestal

                                         

            “Em primeiro lugar a união!” (Seu Pedro Malaquias)




No fim de semana dos dias 14 -15 de junho rolou o curso de Hortas Agroflorestais promovido pela Simbiose Agroflorestal e ministrado pelos professores Namastê e Jéssica. O curso foi realizado no Sítio Pinheiro, espaço que integra produção agropecuária e turismo pedagógico voltado para a educação e conscientização ambiental, localizado em Brázlândia - DF. Fomos para o curso em um grupo de hortelões de Brasília, apoiados pelo GT de Agricultura Urbana do Movimento Nossa Brasília. As vagas do curso se esgotaram rapidamente, o que mostrou o interesse crescente que esse conjunto de conhecimentos vem gerando na região.



O conteúdo do curso foi baseado nos conhecimentos em torno dos Sistemas Agroflorestais Sucessionais, desenvolvidos por Ernst Gotsch e aperfeiçoados em diversas experiências produtivas que vem sendo realizadas nos últimos anos, como a do Cooperafloresta, da Fazenda Toca e de ações entre os índigenas no Xingú. Aulas teóricas e práticas tiveram por objetivo capacitar os aprendizes para a produção de hortaliças em Sistemas Agroflorestais.
Estavam presentes pessoas de diferentes origens, como produtores rurais assentados e cooperativistas, indígenas, pesquisadores, agrônomos, hortelões urbanos e entusiastas em geral, somando cerca de 35 aprendizes.


            Observar e aprender com a natureza, percebendo a forma como os ecossistemas se desenvolvem de forma integrada e replicar os princípios aprendidos de modo a obter plantas fortes e saudáveis, produzindo solos férteis e água ao longo do processo, e sem a utilização de insumos químicos ou pesticidas – esses são alguns dos fundamentos da tecnologia dos Sistemas Agroflorestais Sucessionais.
            As aulas teóricas foram ricas e detalhadas, nelas aprendemos sobre a importância da cobertura do solo, a formação dos estratos florestais e a sucessão no crescimento dos sistemas. Aqui, ao contrário da monocultura, plantam-se diversas plantas em consórcio, trabalhando com a sua interação para fazer a horta crescer como uma floresta que se recupera em uma clareira desmatada. Cada canteiro é um organismo vivo, um “organismo canteiro” composto de 4, 5 espécies diferentes. Entre os canteiros de hortaliças crescem árvores e bananeiras, puxando o crescimento de todo o sistema e produzindo matéria orgânica.

            Desse ponto de vista, as doenças que assolam as plantações da agricultura convencional, sendo chamadas de pragas e combatidas com o uso de agrotóxicos, nada mais são do que indicadores da fraqueza e estresse pelos quais passam as plantas que ali estão. Uma planta que sobrevive à base de fertilizantes químicos e pesticidas é comparada a uma pessoa na U.T.I., tão fraca que necessita do uso constante de  aparelhos e remédios. Na natureza, as plantas coexistem em sistemas complexos que dificilmente são assolados por uma superpopulação de insetos herbívoros ou fungos. A diversidade constrói resiliência, e ecossistemas fortes tendem ao equilíbrio.
            Os sistemas agroflorestais reduzem a demanda por água e insumos externos. Um sistema bem manejado produz solo, garantido fertilidade cíclica e reduzindo a dependência econômica do produtor agrícola. Os alimentos produzidos são orgânicos, sem os riscos à saúde e de contaminação ambiental presentes na agricultura convencional que utiliza agrotóxicos. Além disso, produzindo alimentos diversos, reduz-se o risco de quebra por flutuações nos preços de mercado, e amplia-se a margem de experimentação que faz com que a agroflorestal tenha a cara do dono. É inegavelmente uma arte.

            Depois de muito aprender sobre os princípios e o funcionamento dos sistemas, partimos para as aulas práticas, não sem antes planejar detalhadamente o desenho de cada canteiro. Manejamos bananeiras e eucaliptos, cobrimos os canteiros e plantamos uma porção de coisas: Mandioca, Milho, Cebola, Rabanete, Cenoura, Couve, Brócolis, Rúcula, Alface, Repolho e Beterraba.




           Entre as aulas, deliciosas refeições, muitos cafezinhos e boas conversas. O Sítio ofereceu um ambiente acolhedor e agradável, onde pudemos trocar idéias, experiências e até sementes, na feirinha de troca que fizemos no fim do evento. Também conversamos com os professores sobre ideias para a agrofloresta em ambientes urbanos, frente aos desafios que aqui enfrentamos. Voltamos felizes, cansados, e cheios de vontade de plantar, plantar e plantar!

Por: Marcio C. B. de Oliveira

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Curso de Hortas Urbanas do Re-Ação

Cursode Hortas Urbanas do Re-Ação




           No recente fim de semana dos dias 30 – 31 de maio de 2015, rolou curso de pequenas hortas urbanas, promovido pelo Projeto Re-Ação 206 Norte, ministrado pelo especialista da EMATER, Rogério Vianna, e apoiado pelo espaço cultural ÔdeCasa (https://odecasa206.wordpress.com/).          O curso faz parte da iniciativa de promover formação técnica comunitária para cultivos urbanos, e teve como objetivo a exposição de aspectos técnicos da produção orgânica de hortaliças em pequena escala, com enfoque nas hortas urbanas. Os principais temas discutidos foram: diferenças fundamentais entre agricultura orgânica e convencional; preparação, estrutura, química e biologia dos solos; sistemas de compostagem; controle biológico de “pragas”. Em síntese, interações entre componentes químicos, físicos e biológicos para manutenção de uma horta produtiva e saudável com aplicação mínima de pesticidas, mesmo os de origem orgânica, como calda de fumo, óleo de neem e similares.

O curso contou com a presença de cerca de 18 aprendizes, formando um grupo interessante de entusiastas da produção orgânica e agroecológica engajados em áreas diversas, como as hortas urbanas, pesquisa acadêmica, atuação profissional ligada a agroecologia e agricultura familiar, promoção de atividades culturais e de educação ambiental. Os muitos comentários e discussões levantadas enriqueceram a apresentação do professor Rogério, e demonstraram a força que vem ganhando essas ideias em meio a essa cidade de concreto e verde que é Brasília. Muitas boas ideias germinaram, e projetos de encontros futuros e empreendimentos conjuntos, trocas de informações e saberes rolaramentre os participantes, entre um pedaço de bolo um cafezinho.

Aprendemos sobre macronutrientes e micronutrientes, o papel dos microorganismos na retenção e ciclagem desses nutrientes próximos às raízes das plantas, PH, CTC, papel da água e do ar na qualidade do solo, e a função da matéria orgânica para a existência da microbiologia do solo. Foram apresentados dois sistemas de compostagem, o indore e o minhobox, com exposição de detalhes relativos aos processos químicos e biológicos que ocorrem nesses sistemas. Um ponto alto do curso foi a apresentação do sistema de controle integrado de “pragas”, nome que ele mesmo carrega controvérsia. Trata-se de estimular uma produção saudável através do cultivo consorciado e da presença de uma biologia vibrante, onde os pequenos insetos herbívoros que costumam atacar as hortas são controlados por seus predadores naturais. Dois fatores importantes para a presença desses parceiros insetos são a manutenção de um ecossistema úmido perene no local de plantio, e, para a alegria de todos, o plantio de flores.

Depois das aulas teóricas, que foram realizadas no salão do espaço ÔdeCasa, no sábado e domingo pela manhã, partimos para um mutirão de plantio no pátio externo do espaço sob orientação de Igor Aveline, agroecólogo e idealizador do projeto. Em meio às copas das árvores e o canto dos pássaros pudemos exercitar os músculos com a enxada e ter o prazer de por as mãos na terra para semear mais alguns metros quadrados do outro mundo possível.. que já estamos vivendo! Foi um momento de descontração, papo, troca e contato direto com tudo o que aprendemos ao longo do curso, e é claro, com nossas amigas plantinhas!


           
Ficou decidido marcar um dia para uma terceira aula, onde trataremos de mais conteúdos, pois a sede de saber é grande! O Projeto Re-Ação agradece a presença de todos e saúda todas a iniciativas de cultivo de um mundo mais são, saudável e consciente.
                                                           Por: Marcio C. Barbato de Oliveira


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Livro: “A Violência da Revolução Verde” – Vandana Shiva

Livro: “A Violência da Revolução Verde"” – Vandana Shiva

“A universalização da proteção da vida é um imperativo ético.”

Vandana Shiva é indiana, PhD em física e ativista pela diversidade de sementes e pela autonomia dos agricultores frente ao modelo de ciência, tecnologia e economia agrícola imposto pelas multinacionais e instituições ligadas aos centros do sistema mundial capitalista (colonialismo agrícola?), para resumir uma problemática complexa em uma sentença. Ela é fundadora do movimento Navdanya (http://navdanya.org/), que quer dizer “nove sementes”, ou “novo presente”, dedicado ao fortalecimento das redes de preservação e compartilhamento de sementes, soberania alimentar, agricultura sustentável, transmissão de conhecimentos e preservação de saberes tradicionais. Além disso, o movimento atua na conscientização sobre os riscos da engenharia genética e defendendo direitos populares contra a biopirataria e pelos direitos alimentares.
           
Em “The Violence of the Green Revolution”, publicado pela primeira vez em 1991, Shiva traça um panorama da história e dos efeitos da introdução da revolução verde na província indiana do Punjab, a partir do qual desdobra observações de alcance global, que pintam um quadro alarmante dos caminhos que já tomava então a política agrícola promovida pelos atores centrais no cenário mundial durante a guerra fria, e que vinha sendo implementada pelo Estado indiano.
           
O período após o fim da Segunda Guerra Mundial foi marcado pela emergência da noção de terceiro mundo, e de uma política por parte do chamado ocidente capitalista, centrado no Atlântico Norte,  de promover o desenvolvimento nos países descritos como “subdesenvolvidos” com o objetivo de prevenir a expansão do socialismo. A revolução verde fez parte dessagrande estratégia.
           
Promovida por uma articulação entre institutos de pesquisa, fundações como a Ford e a Rockfeller e organismos internacionais, a revolução verde consistiu na substituição de variedades de plantas e métodos de cultivo autóctones por um pacote tecnológico composto pela introdução de novas “variedades de alto rendimento” (High Yielding Varieties ou HYVs) , plantas que supostamente aumentariam a produção alimentar, mediante a aplicação de fertilizantes químicos como insumo. A política agrícola da revolução verde se caracterizava pela introdução de sementes produzidas em laboratório, com pouca variabilidade genética, e que geravam plantas dependentes da aplicação de altas quantidades de fertilizantes químicos e água, além da substituição do policultivo de alimentos tradicionais com consórcio e rotação de variedades pela monocultura, basicamente de arroz e trigo.


           
O sistema de monocultivo e a base genética restrita resultaram na explosão das pragas, obrigando ao uso de grandes quantidades de pesticidas. A substituição da adubação com matéria orgânica local pela importação de fertilizantes químicos, a necessidade de comprar as sementes, ao invés de aproveitar aquelas produzidas localmente, e a demanda pelos pesticidas, além da substituição dos cultivos alimentares diversificados por poucas variedades destinadas a mercados externos erodiu a soberania alimentar dos camponeses indianos, tornando-os dependentes de crédito e sujeitos a flutuações de preços no mercado internacional. Milhares de camponeses se suicidaram após se endividarem.
Além disso, as novas variedades introduzidas demandavam uma quantidade cada vez maior de insumos, deixando atrás de si um solo degradado pelo abandono das antigas práticas ecológicas de adubação e manejo. A demanda explosiva de água que caracterizava as novas variedades de plantas e técnicas de cultivo levou a necessidade de construção de megaprojetos de represas e aquedutos, que por sua vez dispararam conflitos políticos pela distribuição de recursos, além de provocar fenômenos como a desertificação e o encharcamento. A promessa do milagre de produtividade e paz da revolução verde erodiu-se rapidamente, deixando detrás de si um rastro de degradação ambiental e endividamento.

A introdução da revolução verde levou à centralização do poder, sujeitando os camponeses a decisões tomadas em altas esferas do Estado indiano, bem como em âmbitos internacionais de poder, o que motivou conflitos que ganharam feições étnicas, com as revoltas da comunidade Sikh. A diminuição do cultivo das antigas variedades consorciadas que resultou da sua substituição pelo monocultivo privou as populações de fontes tradicionais e seguras de nutrientes, e a vasta diversidade genética de plantas cultivadas tradicionalmente, e desenvolvida localmente ao longo de milênios, começou a se perder frente à ubiquidade de pouquíssimas variedades, desenvolvidas em centros de pesquisa e replicadas aos milhões a partir de umas poucas matrizes. Essa uniformização produziu vulnerabilidade, expondo os cultivos à ação de pestes, que passaram a atacar as monoculturas com agressividade crescente, e a perda de um rico patrimônio construído ao longo de muito tempo.

Vulnerabilização genética e socioeconômica, dependência dos agricultores em relação a instituições de crédito e mercados flutuantes, degradação dos solos, uso irracional da água, centralização do poder levando a conflitos políticos e étnicos, erosão da soberania alimentar pela substituição de cultivos diversos e nutritivos por monoculturas dirigidas ao mercado, desempoderamento do agricultor. Esses foram alguns dos efeitos nefastos da revolução verde sobre a região do Punjab, segundo Vandana Shiva.

Em contraste, recorrendo às fontes históricas, ela aponta como os primeiros especialistas britânicos que avaliaram o estado da agricultura na Índia, então uma colônia britânica, Sir Alfred Howard e Dr John Augustus Voelcker, expressaram admiração pelas técnicas de cultivo autóctones, considerando-as sofisticadas e descartando a necessidade, e mesmo a capacidade, de os britânicos introduzirem melhorias nesse campo.

Por detrás de toda essa problemática histórica está a imposição de uma forma específica de saber científico, aquela produzida desde os centros de poder do ocidente capitalista, sobre nações e populações camponesas do então chamado terceiro mundo, também descrito como mundo subdesenvolvido, ou, no eufemismo corrente, “em desenvolvimento”. A antiga narrativa sobre a pretensa superioridade cultural do Ocidente, e a alegada neutralidade política da ciência, servem para legitimar a imposição de um tipo de tecnologia agrícola que atende a interesses econômicos e políticos específicos. Por outro lado, os atores que promovem essa tecnologia descrevem as tecnologias e saberes autóctones como primitivos, de modo a afirmar a sua inferioridade.




Assim, sob a máscara da neutralidade científica e do discurso do desenvolvimento, impõe-se um pacote tecnológico que degrada os sistemas ecológicos, submete os agricultores a uma condição dependente, aniquila o patrimônio genético, desestrutura padrões culturalmente específicos de relações sociais, substituindo-os por esquemas de poder estatal centralizado e pela uniformidade e instabilidade das relações do mercado global capitalista.
           
Na época em que escrevia o livro, no fim dos anos 1980, Shiva já denunciava o novo round da Revolução Verde, que se anunciava como a solução para a diversidade de problemas criados pela introdução do primeiro pacote tecnológico. Marcada pela bioengenharia dos transgênicos e capitaneada por corporações multinacionais como Monsanto e a Syngenta, a nova onda da revolução verde na Índia prometia revolucionar a agricultura através do “melhoramento” genético e da integração direta entre produção agrícola e a grande indústria alimentar. Um exemplo do tipo de tecnologia desenvolvido nessa época são as plantas transgênicas resistentes à herbicidas, que vinculam sementes com agrotóxicos, gerando monopólios de mercado e induzindo à aplicação cada vez maior de venenos nos alimentos que comemos e no ambiente que compartilhamos com inúmeras outras espécies. Além disso, o processo de patentemento de sementes por grandes empresas usurpa populações camponesas do mundo de um patrimônio genético socialmente construído ao longo de milênios, privatizando a vida e submetendo-a ao jogo voraz do lucro capitalista.
           
Shiva critica todo esse processo do ponto de vista técnico e político, apontando para a necessidade imperativa de se fortalecerem caminhos tecnológicos distintos deste, que promovam sustentabilidade, diversidade e descentralização. A autonomia do agricultor e a saúde da sociedade parecem estar intimamente ligados à aplicação de tecnologias agrícolas descentralizadas, baseadas na diversidade genética e de espécies, na utilização de insumos orgânicos internos, de origem local, em resumo, no manejo ecológico dos sistemas agrícolas. Os princípios que guiam as escolhas políticas que se realizam nesse sentido devem ser orientados por critérios socialmente definidos, e não pela lógica fria e gananciosa do grande capital internacional, que se esconde sob o disfarce do progresso científico e da inevitabilidade econômica. Ao romper com a noção enviesada de que a tecnologia proposta pelos grandes centros capitalistas é necessariamente a mais avançada e adequada para todos os povos – descolonizar o saber -, podemos abrir nossa mente para a existência, e pertinência, de diversas formas de produzir alimentos que apontam para formas mais humanas e sensatas de organização social e de relacionamento com a natureza e com os recursos do planeta em que vivemos.




Por: Marcio C. B. Oliveira – Mestre em Relações Internacionais e colaborador do Projeto Reação – contato: marcio_barbato@hotmail.com

sexta-feira, 6 de março de 2015

Cronograma de Atividades


(copyleft)
1º Etapa – Semente

Evento de lançamento (9h - 12h) - 19 de abril
Café + Apresentação do projeto
Atividades lúdicas/yoga
Distribuição do material didático
Diálogo sobre data das atividades
 + Mutirão

Oficina de educação ambiental para crianças (9h - 12h) -26 de abril
(Fernanda Fagundes – educadora ambiental)
Café da manhã comunitário
Caminhada de reconhecimento da 206 norte
Jogos cooperativos - Vivência ecopedagógica
 Plantio de mudas

Mutirão (9h-13h) – 10 de maio
- identificação de espécies arbórias + Roda de conversas
· Pintura de Placas + manejo agroflorestal + rega + manejo do viveiro e colheita
+ oficina de compostagem - técnico da EMATER

Oficina de educação ambiental para crianças (9h-12h)  - 10 de maio
(Fernanda Fagundes – educadora ambiental)
Café da manhã comunitário
Jogos cooperativos - Vivência ecopedagógica
 Plantio de mudas

Curso de Produção e Consumo de Ervas Medicinais (19h - 21h) – 20 de maio 
(Baby - técnico agrícola)

2º Etapa – Muda

Curso Pequenas Hortas Urbanas (08h - 12h) – 30 e 31 de maio
(Rogério Vianna-EMATER)
(as datas serão escolhidas coletivamente no dia do lançamento)

1º DIA - 30 de maio
-  Introdução à produção orgânica e agroecológica 
- Solos, manejo de solo, adubação e caldos / manejo integrado de “pragas” 

2º DIA - 31 de maio
- Doenças em hortaliças, prevenção, controle e extratos – 2h
- Produção de mudas, plantio, irrigação e outras práticas de manejo – 2h

Festejo de Celebração - Aniversário 01 ano - início de junho
· Café da manhã
· Atividades recreativas + yoga


· Músicos e bandas locais

Mutirão Jardim Comunitário - 27 e 28 de junho
(Baby - técnico agrícola)
– Construção do jardim e plantio de hortaliças e ervas medicinais

3º Etapa – Árvore

Visita ao Sítio Gerânium - agosto
· Café da manhã comunitário
· Oficina de compostagem e produção de Bokashi
Visita guiada  - Lilian Rocha:
produção orgânica, consórcios, produção de composto e bio-fertilizantes.

Mutirões

Curso de Agroecologia - setembro
(Fabiana Penereiro - ONG Mutirão Agroflorestal)
- a seleção dos participantes será lançada em agosto

4º Etapa – Floresta

Visita ao Sítio Semente - outubro
· Visita Guiada
- Oficina de manejo florestal
Mutirão de plantio agroflorestal

Mutirão Jardins Agroflorestais - outubro
  
+++ encaminhamentos futuros... +++